Acaraú. “Tendo deixado de existir, de fato, aldeamentos, que foram fundados nessa província, em data recente ou remota, por se haverem dispersado seus habitantes ou fundido nas outras classes, remetam ao ministério ao meu cargo quantos esclarecimentos for possível para revelar a criação dos terrenos que constituíram tais aldeamentos”; “Inexiste qualquer registro histórico da presença de índios naquela área do litoral cearense, sendo oportuno assinalar que o nome ‘jenipapo-kanindé’ foi criado por interessados no ressurgimento de índios no litoral cearense”; “não existe índio em Itapipoca”. O primeiro trecho, datado de 1878, está na carta do Ministro do Império ao Presidente da Província, afirmando, então, não mais existirem aldeamentos indígenas no Ceará, o que já era dito em decreto provincial de 1863. O segundo está em um documento de pouco mais de um ano emitido pela empresa Ypióca, em questão judicial com a etnia Jenipapo-Kanindé na demarcação de terras em Aquiraz. A última declaração vem da empresa Nova Atlântida Empreendimentos, há 30 anos com projeto turístico orçado em R$ 15 bilhões em 3,1 mil hectares da Praia da Baleia, em Itapipoca, suspenso desde 2004 por suspeita da existência de terra dos índios Tremembé de São José e Buriti, município de Itapipoca, que reivindicam para si o local. Em todos os casos, é feita a negação total ou parcial da existência de índios em determinados lugares do Ceará, em que famílias locais, grupos empresariais nacionais e internacionais reivindicam para si terras supostamente de direito natural dos índios. Neste terceiro dia da série de reportagens sobre os índios no Ceará, o Diário do Nordeste traz o que é considerado, pelos índios, o maior entrave na busca de seus direitos: a luta pelo direito natural e pela demarcação da terra. “A estratégia é sempre a mesma. Para negar o direito constitucional dos índios às terras, quem é contrário apela para a negação da existência do índio no Ceará. Se não é índio não tem direito a demarcar terra”, reclama Maria Amélia Leite, da Associação Missão Tremembé, em Fortaleza, com mais de três décadas de sua vida dedicadas ao estudo e à cooperação com os índios no Nordeste. A existência de índios no Ceará — de tempos remotos até hoje — é defendida pelo Ministério Público Federal, Fundação Nacional do Índio (Funai), Instituto do Patrimônio Histórico e Arquitetônico Nacional (Iphan), dezenas de antropólogos e, óbvio, pelos próprios povos das etnias, organizados em várias associações jurídicas — oficialmente são 12 etnias em 16 municípios do Ceará, mas alguns estudos apontam para 17 etnias. Se a Justiça comum é considerada lenta, a Justiça que acompanha os casos de reconhecimento étnico-cultural e territorial dos índios é quase engessada. Tanto que, apesar de quase 20 anos de luta por demarcação em dezenas de comunidades autodenominadas indígenas no Ceará, apenas os Tremembé do Córrego do João Pereira, entre Itarema e Acaraú, no Litoral Oeste, tiveram todos os estágios, do reconhecimento à demarcação, consolidados em 2004. Os outros povos estão em diferentes estágios de reconhecimento. Pesquisas De 1980 aos dias atuais, é crescente o número de pesquisadores brasileiros, notadamente antropólogos, visitando as comunidades indígenas no Ceará, fazendo relatos e registrando em centenas de publicações, de livros a documentários em vídeo. Apesar disso, a Funai, principal órgão federal em defesa do índio, carece de antropólogos para a realização de perícia técnica, passo anterior a possíveis demarcações. Conforme o antropólogo Max Maranhão, professor adjunto da Universidade Estadual do Ceará e coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas Étnico-Culturais, só cabe aos próprios índios a auto-identificação como tais. O antropólogo tem a tarefa de reconhecer e registrar essa autenticidade própria para a consideração do território indígena. “Eu passei 38 anos calado com medo. Sou índio, nasci índio, mas não podia dizer, porque era capaz de me matarem”, afirma o pajé Cícero José, índio Potiguara do município de Crateús. Hoje ele diz continuar correndo riscos por defender o direito à terra, mas é só rompendo o silêncio e reconhecendo-se índio que consegue lutar pela demarcação das terras. Sendo índios, aos povos de centenas de comunidades no Ceará deve ser assegurado, pela Constituição Federal, o direito à demarcação das terras, um passo delicado e que tem a afronta de empresas de alto poder econômico com forte aliados políticos. “Se a gente aparecer pintada, é arriscado jogarem pedra. É muito grande o preconceito na comunidade, as pessoas ainda têm muito medo das ameaças. E tem índio que nega as origens e não diz nada porque os patrões estão em terras que são nossas, aí tem medo de perder o emprego”, lamenta a professora Andréa Rufino, 26 anos, índia Tapuia-Kariri. O desagrego dos índios, incentivado por empresários, para aqueles não entrarem na luta pelas terras é uma das preocupações dos movimentos indígenas. “Os ‘grandes’ que estão nas terras empregam, dão uns agrados, e os índios ficam submetidos a ficarem calados”, afirma Ceiça Pitaguary, da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme). Emprego, dinheiro avulso, pequenos e esporádicos investimentos locais em meio ambiente ou cultura feitos pelos próprios empresários em litígio judicial são vistos pelos índios como estratégias análogas à do colonizador, 500 anos atrás, que “agradava” os nativos com especiarias (escambos), para depois fazerem ameaças, até a tomada das terras. Ameaças, inclusive de morte, não são raras nos relatos dos índios, nem mesmo dos não índios, como a missionária Maria Amélia Leite, da Associação Missão Tremembé, que diz ter sido ameaçada em lugares onde atuou em defesa dos índios, como em Almofala, distrito de Itarema. Mas isso não basta: “Não nos rendemos nem nos vendemos”, diz o lema dos movimentos indígenas. SAIBA MAIS Liminar A obra do complexo turístico Cidade Nova Atlântida, da empresa espanhola Nova Atlântida Empreendimentos, foi suspensa por liminar concedida pela Justiça Federal, com aval do Tribunal Regional Federal Litígio Em Caucaia, o litígio judicial ocorre entre os índios e a família Arruda, que há muitos anos está no poder executivo municipal. Ela entrou com um mandado de segurança pedindo a anulação do processo demarcatório da terra da etnia Tapeba, cujas terras foram delimitadas em 4.658 hectares e demarcadas Contestação Em São Gonçalo do Amarante, os índios Anacé reclamam terem três de suas comunidades expulsas por conta da construção do Porto do Pecém, situação que pode se agravar com mais empreendimentos no Porto FISCALIZAÇÃO "Vamos intensificar a fiscalização para impedir agressão ou degradação ambiental nas áreas indígenas". Paulo Fernando Barbosa Chefe da Funai no Ceará Mais informações: Fundação Nacional do Índio no Ceará (Funai) Rua Abílio Martins, 805, Parquelândia, Fortaleza (85) 3223. 3788 DEMANDAS ATENDIDAS Etnias indígenas mantêm boa relação com Funai Poranga. Cerca de 400 índios das etnias Tapeba, Jenipapo-Kanindé, Tremembé, Potiguara, Pitaguary, Tabajara, Kalabaça e Anacé ocuparam a sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Fortaleza. O fato aconteceu em maio de 2007 e foi apenas uma das provas de descontentamento dos índios com o órgão federal. Um ano e meio depois, composição de novo gestor no órgão, novos equipamentos, e atendidos em parte com a reivindicação que motivou a ocupação, os índios no Ceará vivem momento de melhor relação com a instituição federal. “Quando cheguei aqui, faltava carro para a equipe trabalhar e muita conta para pagar”, afirma Paulo Fernando Barbosa da Silva, atual chefe do escritório da Funai no Ceará. Ele tem um desafio e tanto: com apenas oito funcionários, trabalhar no atendimento a 22 mil índios, que é o número cadastrado pelo órgão federal no Estado. Ainda tem que seguir determinação da presidência da Fundação, que quer todo chefe de escritório estadual acompanhando diretamente as atividades assistenciais, como a entrega de cestas básicas (2.500 em 13 etnias) e entrega de ferramentas e sementes para o plantio da safra de 2009 (dez mil quilos de sementes de milho e outras nove mil de feijão). Mas Paulo está otimista. Depois que, por reivindicação dos índios, foi criada a Unidade de Gestão (UG), antes chamada Administração Executiva Regional (AER), a sede da Funai em Fortaleza deixou de depender juridicamente do escritório em João Pessoa, na Paraíba. “Essa autonomia facilita muito o nosso trabalho, porque agiliza os atendimentos das demandas dos índios”, afirma Paulo. Ele esteve presente na XIV Assembléia Estadual dos Povos Indígenas, que termina hoje na Aldeia Cajueiro, em Poranga. Sua fala foi aguardada pela esperança de boas notícias para os índios. Segundo o chefe da Funai no Ceará, logo no início de 2009, um grupo de trabalho fará estudo para legitimação das comunidades de São José e Buriti (Itapipoca), Mundo Novo (Monsenhor Tabosa), Queimadas (Acaraú) e Jenipapo-Kanindé (Aquiraz). A Funai tem apenas oito funcionários no Ceará para atender a 22 mil índios Quatro representações dos povos indígenas do Estado do Ceará devem acompanhá-lo a Brasília no início do ano que vem, para reunião com o presidente da Funai, Márcio Mera, para discutir novas demarcações e as atuais demandas judiciais pelas terras. Paulo Barbosa ainda avisa: “Funai, Ministério Público, Polícia Federal e Ibama vão intensificar a fiscalização para impedir qualquer agressão a povos ou degradação ambiental nas áreas indígenas”.
sábado, 20 de dezembro de 2008
Demarcação de terras é meta
Acaraú. “Tendo deixado de existir, de fato, aldeamentos, que foram fundados nessa província, em data recente ou remota, por se haverem dispersado seus habitantes ou fundido nas outras classes, remetam ao ministério ao meu cargo quantos esclarecimentos for possível para revelar a criação dos terrenos que constituíram tais aldeamentos”; “Inexiste qualquer registro histórico da presença de índios naquela área do litoral cearense, sendo oportuno assinalar que o nome ‘jenipapo-kanindé’ foi criado por interessados no ressurgimento de índios no litoral cearense”; “não existe índio em Itapipoca”. O primeiro trecho, datado de 1878, está na carta do Ministro do Império ao Presidente da Província, afirmando, então, não mais existirem aldeamentos indígenas no Ceará, o que já era dito em decreto provincial de 1863. O segundo está em um documento de pouco mais de um ano emitido pela empresa Ypióca, em questão judicial com a etnia Jenipapo-Kanindé na demarcação de terras em Aquiraz. A última declaração vem da empresa Nova Atlântida Empreendimentos, há 30 anos com projeto turístico orçado em R$ 15 bilhões em 3,1 mil hectares da Praia da Baleia, em Itapipoca, suspenso desde 2004 por suspeita da existência de terra dos índios Tremembé de São José e Buriti, município de Itapipoca, que reivindicam para si o local. Em todos os casos, é feita a negação total ou parcial da existência de índios em determinados lugares do Ceará, em que famílias locais, grupos empresariais nacionais e internacionais reivindicam para si terras supostamente de direito natural dos índios. Neste terceiro dia da série de reportagens sobre os índios no Ceará, o Diário do Nordeste traz o que é considerado, pelos índios, o maior entrave na busca de seus direitos: a luta pelo direito natural e pela demarcação da terra. “A estratégia é sempre a mesma. Para negar o direito constitucional dos índios às terras, quem é contrário apela para a negação da existência do índio no Ceará. Se não é índio não tem direito a demarcar terra”, reclama Maria Amélia Leite, da Associação Missão Tremembé, em Fortaleza, com mais de três décadas de sua vida dedicadas ao estudo e à cooperação com os índios no Nordeste. A existência de índios no Ceará — de tempos remotos até hoje — é defendida pelo Ministério Público Federal, Fundação Nacional do Índio (Funai), Instituto do Patrimônio Histórico e Arquitetônico Nacional (Iphan), dezenas de antropólogos e, óbvio, pelos próprios povos das etnias, organizados em várias associações jurídicas — oficialmente são 12 etnias em 16 municípios do Ceará, mas alguns estudos apontam para 17 etnias. Se a Justiça comum é considerada lenta, a Justiça que acompanha os casos de reconhecimento étnico-cultural e territorial dos índios é quase engessada. Tanto que, apesar de quase 20 anos de luta por demarcação em dezenas de comunidades autodenominadas indígenas no Ceará, apenas os Tremembé do Córrego do João Pereira, entre Itarema e Acaraú, no Litoral Oeste, tiveram todos os estágios, do reconhecimento à demarcação, consolidados em 2004. Os outros povos estão em diferentes estágios de reconhecimento. Pesquisas De 1980 aos dias atuais, é crescente o número de pesquisadores brasileiros, notadamente antropólogos, visitando as comunidades indígenas no Ceará, fazendo relatos e registrando em centenas de publicações, de livros a documentários em vídeo. Apesar disso, a Funai, principal órgão federal em defesa do índio, carece de antropólogos para a realização de perícia técnica, passo anterior a possíveis demarcações. Conforme o antropólogo Max Maranhão, professor adjunto da Universidade Estadual do Ceará e coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas Étnico-Culturais, só cabe aos próprios índios a auto-identificação como tais. O antropólogo tem a tarefa de reconhecer e registrar essa autenticidade própria para a consideração do território indígena. “Eu passei 38 anos calado com medo. Sou índio, nasci índio, mas não podia dizer, porque era capaz de me matarem”, afirma o pajé Cícero José, índio Potiguara do município de Crateús. Hoje ele diz continuar correndo riscos por defender o direito à terra, mas é só rompendo o silêncio e reconhecendo-se índio que consegue lutar pela demarcação das terras. Sendo índios, aos povos de centenas de comunidades no Ceará deve ser assegurado, pela Constituição Federal, o direito à demarcação das terras, um passo delicado e que tem a afronta de empresas de alto poder econômico com forte aliados políticos. “Se a gente aparecer pintada, é arriscado jogarem pedra. É muito grande o preconceito na comunidade, as pessoas ainda têm muito medo das ameaças. E tem índio que nega as origens e não diz nada porque os patrões estão em terras que são nossas, aí tem medo de perder o emprego”, lamenta a professora Andréa Rufino, 26 anos, índia Tapuia-Kariri. O desagrego dos índios, incentivado por empresários, para aqueles não entrarem na luta pelas terras é uma das preocupações dos movimentos indígenas. “Os ‘grandes’ que estão nas terras empregam, dão uns agrados, e os índios ficam submetidos a ficarem calados”, afirma Ceiça Pitaguary, da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme). Emprego, dinheiro avulso, pequenos e esporádicos investimentos locais em meio ambiente ou cultura feitos pelos próprios empresários em litígio judicial são vistos pelos índios como estratégias análogas à do colonizador, 500 anos atrás, que “agradava” os nativos com especiarias (escambos), para depois fazerem ameaças, até a tomada das terras. Ameaças, inclusive de morte, não são raras nos relatos dos índios, nem mesmo dos não índios, como a missionária Maria Amélia Leite, da Associação Missão Tremembé, que diz ter sido ameaçada em lugares onde atuou em defesa dos índios, como em Almofala, distrito de Itarema. Mas isso não basta: “Não nos rendemos nem nos vendemos”, diz o lema dos movimentos indígenas. SAIBA MAIS Liminar A obra do complexo turístico Cidade Nova Atlântida, da empresa espanhola Nova Atlântida Empreendimentos, foi suspensa por liminar concedida pela Justiça Federal, com aval do Tribunal Regional Federal Litígio Em Caucaia, o litígio judicial ocorre entre os índios e a família Arruda, que há muitos anos está no poder executivo municipal. Ela entrou com um mandado de segurança pedindo a anulação do processo demarcatório da terra da etnia Tapeba, cujas terras foram delimitadas em 4.658 hectares e demarcadas Contestação Em São Gonçalo do Amarante, os índios Anacé reclamam terem três de suas comunidades expulsas por conta da construção do Porto do Pecém, situação que pode se agravar com mais empreendimentos no Porto FISCALIZAÇÃO "Vamos intensificar a fiscalização para impedir agressão ou degradação ambiental nas áreas indígenas". Paulo Fernando Barbosa Chefe da Funai no Ceará Mais informações: Fundação Nacional do Índio no Ceará (Funai) Rua Abílio Martins, 805, Parquelândia, Fortaleza (85) 3223. 3788 DEMANDAS ATENDIDAS Etnias indígenas mantêm boa relação com Funai Poranga. Cerca de 400 índios das etnias Tapeba, Jenipapo-Kanindé, Tremembé, Potiguara, Pitaguary, Tabajara, Kalabaça e Anacé ocuparam a sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Fortaleza. O fato aconteceu em maio de 2007 e foi apenas uma das provas de descontentamento dos índios com o órgão federal. Um ano e meio depois, composição de novo gestor no órgão, novos equipamentos, e atendidos em parte com a reivindicação que motivou a ocupação, os índios no Ceará vivem momento de melhor relação com a instituição federal. “Quando cheguei aqui, faltava carro para a equipe trabalhar e muita conta para pagar”, afirma Paulo Fernando Barbosa da Silva, atual chefe do escritório da Funai no Ceará. Ele tem um desafio e tanto: com apenas oito funcionários, trabalhar no atendimento a 22 mil índios, que é o número cadastrado pelo órgão federal no Estado. Ainda tem que seguir determinação da presidência da Fundação, que quer todo chefe de escritório estadual acompanhando diretamente as atividades assistenciais, como a entrega de cestas básicas (2.500 em 13 etnias) e entrega de ferramentas e sementes para o plantio da safra de 2009 (dez mil quilos de sementes de milho e outras nove mil de feijão). Mas Paulo está otimista. Depois que, por reivindicação dos índios, foi criada a Unidade de Gestão (UG), antes chamada Administração Executiva Regional (AER), a sede da Funai em Fortaleza deixou de depender juridicamente do escritório em João Pessoa, na Paraíba. “Essa autonomia facilita muito o nosso trabalho, porque agiliza os atendimentos das demandas dos índios”, afirma Paulo. Ele esteve presente na XIV Assembléia Estadual dos Povos Indígenas, que termina hoje na Aldeia Cajueiro, em Poranga. Sua fala foi aguardada pela esperança de boas notícias para os índios. Segundo o chefe da Funai no Ceará, logo no início de 2009, um grupo de trabalho fará estudo para legitimação das comunidades de São José e Buriti (Itapipoca), Mundo Novo (Monsenhor Tabosa), Queimadas (Acaraú) e Jenipapo-Kanindé (Aquiraz). A Funai tem apenas oito funcionários no Ceará para atender a 22 mil índios Quatro representações dos povos indígenas do Estado do Ceará devem acompanhá-lo a Brasília no início do ano que vem, para reunião com o presidente da Funai, Márcio Mera, para discutir novas demarcações e as atuais demandas judiciais pelas terras. Paulo Barbosa ainda avisa: “Funai, Ministério Público, Polícia Federal e Ibama vão intensificar a fiscalização para impedir qualquer agressão a povos ou degradação ambiental nas áreas indígenas”.
Vôo Ceará-EUA

O Ceará ingressará, na próxima segunda-feira, no roteiro das viagens internacionais para os EUA com o início do vôo Fortaleza/Atlanta. A Delta Air Lines, operadora norte-americana - uma das maiores companhias do mundo, que viaja para mais de 300 destinos - terá sua aeronave aterrissando às 9h17min, no Aeroporto Internacional Pinto Martins, procedente de Atlanta e Recife. Na pista, haverá um batismo da aeronave por meio de jato d’água do Corpo de Bombeiros. De Fortaleza, seguirão para os EUA 130 passageiros. Para o secretário estadual do Turismo, Bismarck Maia, esse momento significa “um importante reforço para o turismo do Estado”. A Delta vai operar com quatro vôo semanais. A torcida é por longevidade da rota .
Aeroportos têm 6,5% dos vôos atrasados neste sabado

Balanço da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) mostra que dos 477 vôos programados, 120 (25,2%) tiveram algum tipo de atraso até s 9h de hoje (20). No entanto, no momento do levantamento, apenas 31 (6,5%) continuavam atrasados. O número de vôos cancelados chegava a 9 (1,9%). Os maiores atrasos ocorreram em Brasília, Manaus, Recife, Salvador e Guarulhos (SP). Por serem as maiores, a TAM, com 203 vôos, e Gol, com 148, são as empresas com o maior número registrado de atrasos.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
MUNDO LOUCO: Ladrão diz que fantasma o impediu de fugir de casa na Malásia

Após voltar das férias, um casal malasiano encontrou um ladrão de 26 anos desmaiado no chão de sua casa com fatiga e desidratação. O casal rapidamente chamou uma ambulância e, depois, comunicou o caso à polícia.
O assaltante disse à polícia que, depois que entrou na casa, sentiu como se estivesse em uma caverna. Ele contou que toda vez que tentava fugir da residência um espírito sobrenatural o jogava não chão.
O ladrão afirmou ainda que o suposto fantasma o manteve sem comida e água por três dias. O assaltante foi levado para o hospital Kemaman e já se recuperou totalmente a saúde, de acordo com o policial Abdul Marlik Hakim Johar.
TIM, até quando senhor?

Notícia boa: a operadora de telefonia móvel Tim está oferecendo minimodem para acesso à Internet a partir de R$ 29,00. É uma promoção de Natal. Sim, o Papai Noel da TIM não quer nada mais do que míseros R$ 29,00, o que significa no orçamento de um só mês investimento de ralos R$ 0,96. Notícia ruim: a promoção só vale para São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Acre, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e para o Distrito Federal. O Nordeste está fora. Agora, tente explicar a discriminação.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
MEIO AMBIENTE: Acaraú, depois de ganhar selo unicef, fatura tambem o selo verde!
Acaraú. O Governo do Estado, por meio do Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente (Conpam), entrega, hoje, a partir das 19 horas no Centro de Convenções, o diploma de certificação do programa Selo Município Verde versão 2008 aos prefeitos municipais de 39 cidades. Este ano, das 110 cidades inscritas, 42 chegaram à etapa final.
Os municípios agraciados com o Selo são: Acaraú, Acopiara, Apuiarés, Aracati, Araripe, Beberibe, Bela Cruz, Campos Sales, Caucaia, Crateús, Crato, Croatá, Cruz, Fortaleza, General Sampaio, Ibiapina, Icapuí, Iguatu, Independência, Itaitinga, Jardim, Juazeiro do Norte, Lavras da Mangabeira, Limoeiro do Norte, Maracanaú, Maranguape, Massapê, Morada Nova, Novo Oriente, Ocara, Pacoti, Parambu, Quixeramobim, Russas, Sobral, Tabuleiro do Norte, Tauá, Tianguá e Viçosa do Ceará.
Os municípios participantes do programa passaram por três etapas de avaliação. Na primeira delas, a de gestão ambiental, as prefeituras receberam um questionário que avaliou o município em relação às questões de legislação ambiental, infra-estrutura, saúde pública, biodiversidade e educação ambiental. Este ano, 92 municípios, dos 110 inscritos, devolveram ao Conpam os questionários devidamente preenchidos. Logo que a análise destes questionários foi concluída, apenas 42 cidades estiveram pré-qualificados e receberam visita dos técnicos do Comitê Gestor para confirmar as informações fornecidas nos questionários.
A última etapa de avaliação foi a de Mobilização Ambiental. Nessa fase, foram analisadas as formas e os níveis de organização da sociedade civil, tais como: conselhos municipais, associações, audiências públicas, abaixo-assinados e ações compartilhadas. Os municípios certificados receberão, além dos diplomas, kits de coleta seletiva de lixo.
Eliminadas
Dos municípios inscritos, três foram desclassificados pelo Comitê Gestor: Baturité, Eusébio e Missão Velha. A cidade de Eusébio foi eliminada por não ter obtido na fase de Mobilização Ambiental a pontuação necessária, já que inexistiu a participação da sociedade civil nas ações; as duas outras cidades — Baturité e Missão Velha — perderam pontos na avaliação do Índice de Gestão Ambiental. O Programa Selo Município Verde (PSMV) é um sistema de certificação ambiental municipal, que avalia as iniciativas da gestão municipal na área de meio ambiente.
Mais informações:
Coordenadoria do Conpam
Pedro Gomes de Matos
(85) 9984.4440 / 3101.1234
Ranne Almeida
(85) 9659.4010 / 3101.1233
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Termina nesta quinta-feira prazo para juízes eleitorais diplomarem eleitos

SELO UNICEF: 65 municípios serão premiados hoje, dentre eles "Acaraú"
BILHETERIA : Filme de Keanu Reeves arrasa nas bilheterias norte-americanas
O remake do filme "cult" de 1951 ("O dia em que a Terra parou") é protagonizado por Keanu Reeves, que interpreta um alienígena na Terra. Neste fim de semana, o filme arrecadou US$ 31 milhões.
O quarto lugar foi para o filme animado da Disney "Bolt - Supercão", em cartaz há um mês, com US$ 7,5 milhões no fim de semana e US$ 89 milhões acumulados. "Austrália", o épico romântico com Nicole Kidman e Hugh Jackman, aparece em quinto, com US$ 4,2 milhões.
O thriller de James Bond "Quantum of solace" vem em sexto, com US$ 3,8 milhões e US$ 157,6 milhões desde a estréia, há cinco semanas.
Em seu primeiro fim de semana, a comédia "Nothing like the holidays" aparece em sétimo, com US$ 3,5 milhões, seguida da animação "Madagascar 2 - A grande escapada", com US$ 3,2 milhões. Completam a lista dos mais vistos do fim de semana: "Milk" (US$ 2,6 milhões) e "Carga explosiva 3" (US$ 2,25 milhões).
FUTEBOL: Tottenham divulga projeto do novo estádio para 60 mil pessoas
A diretoria do Tottenham divulgou nesta segunda-feira as primeiras imagens do novo estádio que será construído para o clube em Londres. No local, serão construídos lojas, um museu e um espaço para escritórios do clube. Ainda não há previsão para o início da construção. O nome ainda não foi escolhido, mas a tendência é que o Tottenham venda os direitos para uma empresa, assim como o Arsenal fez com o Emirates Stadium
MUNDO LOUCO:Roubo de privada termina em perseguição de helicóptero na Argentina

O roubo de um vaso sanitário terminou em perseguição policial com direito a helicóptero neste domingo (9), na cidade argentina de Mendoza.
Javier Raído, de 33 anos, foi visto carregando um vaso pela rua. Policiais desconfiaram e detiveram o suspeito. Ele e a privada foram colocados em uma viatura. No meio do caminho, os policiais decidiram parar para investigar a loja que havia sido roubada.
Nesse descuido, Javier conseguiu quebrar a divisão que o separava da parte da frente do automóvel e saiu dirigindo o carro. As autoridades, então, começaram a caça ao criminoso.
Além de outras viaturas, a polícia acabou deslocando um helicóptero para dar conta do recado. Através da localização por GPS (sistema de posicionamento global via satélite), o helicóptero logo rastreou a viatura roubada.
Javier foi encontrado momentos depois de a polícia chegar ao carro e foi levado para a prisão - dessa vez, sem paradas no meio do caminho.
SERVIÇO: Tire dúvidas sobre o funcionamento do sistema de ar-condicionado do carro
Um veículo parado sob o sol pode atingir a temperatura interna de até 70º C. Portanto, é inegável a importância do ar-condicionado, um item que além de oferecer conforto, proporciona segurança, viabilizando a viagem com os vidros fechados, sem que motorista e passageiros “derretam” dentro do carro.
Funcionamento
O ar-condicionado é um aparelho que muda a temperatura e a umidade do interior do automóvel dentro de limites pré-estabelecidos. Para isso, é necessário um circuito no qual um gás refrigerante é enviado, sob pressão, por meio de um compressor acionado pelo motor.
Depois disso, esse gás é esquentado e atravessa o radiador, onde é submetido a um resfriamento, passando para o estado líquido. Em seguida, vai para uma válvula de expansão e entra no evaporador colocado na cabine do carro. Neste momento, volta ao estado gasoso.
Portanto, na prática, esse equipamento não é um gerador de frio, mas sim um transformador do ar ambiente. Para funcionar, o motor do condicionador de ar é ligado ao motor do veículo por correias, um esforço que exige de 8 a 15 cavalos de potência.
Ar em um carro 1.0
Para alguns, o equipamento em um carro de pouca potência, como os que contam com motor 1.0, pode parecer uma opção inadequada. Mas nem sempre é. Isso porque, quando o ar-condicionado é de fábrica, conta com sistemas que o desativam momentaneamente em casos que exigem que toda a potência do motor seja usada, como no caso de uma subida mais acentuada, por exemplo, ou mesmo uma ultrapassagem.
No inverno, aparelho também deve ser ligado
Para fugir do calor, é necessário que o ar-condicionado esteja em plenas condições de funcionamento e com a revisão em dia. Portanto, faça uma inspeção anual para verificar o filtro, que retém impurezas vindas do ar externo e também pode acumular fungos se não for trocado periodicamente. O nível do gás também é checado. Se ele não estiver em ordem, o condicionador não vai esfriar o ambiente.
A dica para manter seu ar-condicionado funcionando bem é utilizá-lo constantemente. É isso mesmo, um condicionador de ar parado pode ressecar as mangueiras e também virar um criadouro de fungos. Portanto, mesmo em épocas mais frias, é importante ligar o aparelho ao menos por 10 minutos, uma vez por semana.
Outra dica bacana é ativar a recirculação. Além de não permitir que o ar externo entre no carro, principalmente quando se está atrás de um caminhão soltando fumaça, ou dentro de um túnel, em um engarrafamento, entre outros, esse modo acelera o resfriamento interno. Porém, seu uso não deve ser prolongado, pois o ar no interior do carro não vai se renovar. Um lembrete importante aos fumantes: evite o cigarro com o ar-condicionado ligado, pois o sistema ficará impregnado com um odor bem desagradável.
domingo, 14 de dezembro de 2008
TELEVISÃO : Globo Rural faz matéria sobre o rio Acaraú
A última parte da reportagem sobre o rio Acaraú, um dos mais importantes do Ceará, mostra as riquezas da parte baixa da bacia.
Pouco antes de se entregar ao mar, o rio abastece um dos mais modernos pólos de fruticultura irrigada do país e também a maior criação de camarão em cativeiro do Estado.
Pouco depois de deixar Sobral, o rio alcança o baixo Acaraú. Apesar da proximidade com o mar, o clima é de sertão. A caatinga predomina. As muitas carnaubeiras deixam a paisagem verde.
Nossa próxima parada é no município de Marco, onde fica a sede do Distrito de Irrigação do Baixo Acaraú, mais um pólo de fruticultura público inaugurado em 2001. São 8,3 mil hectares, divididos em lotes de oito hectares para pequeno produtor, 16 para técnico agrícola e 60 para empresário, abrangendo, além de Marco, os municípios de Bela Cruz e Acaraú.
Este perímetro de irrigação é um dos mais modernos do país e é a menina dos olhos das autoridades em se tratando de usar a água do Acaraú para gerar emprego e renda.
A água é captada na barragem e bombeada até uma rede de canais. De lá segue para os lotes por gravidade. Operadores controlam tudo o tempo todo.
“A gente tem fibra ótica percorrendo todos os canais e sensores de nível ultrassonico medindo sempre a lamina d'água nos canais”, explicou Francisco Pontes Neto, operador de automação.
O projeto conta ainda com um controle eficiente de pragas e doenças. Água e luz são cobradas individualmente. O produtor paga apenas o que consumiu.
Rogério Coelho Pereira é um administrador de empresas que vivia na capital Fortaleza. Quando soube que o Dnocs estava licitando os lotes do perímetro, decidiu se aventurar.
“Deu logo a curiosidade de conhecer. Quando eu visitei a barragem e vi os equipamentos, vi a coisa automatizada, eu achei fantástico em termos tecnológicos, em termos de mudança para região e uma oportunidade de trabalho, de investimento”, falou Rogério.
Rogério hoje é agricultor e passa a maior parte do tempo cuidando de seus dois lotes. Em 16 hectares, produz banana-maçã, mamão e maracujá.
A instalação do perímetro gerou muitos empregos. Os produtores dizem até que tem faltado gente para trabalhar na colheita.
O Distrito de Irrigação do Baixo Acaraú está sendo ampliado. As obras já começaram. Com verba do PAC, Plano de Aceleração do Crescimento, o governo federal pretende disponibilizar mais 4,6 mil hectares de área irrigável. Mas todo esse potencial é subutilizado. Menos de 30% dos lotes estão produzindo. A grande maioria está abandonada.
Para Rogério Paganelli, gerente executivo do distrito, aumentar a taxa de ocupação é hoje o maior desafio do projeto.
Existem vários fatores para que os produtores tenham deixado de produzir, mas o principal é que no começo não havia uma facilidade na questão do crédito. Então, isso atrasou um pouco a ocupação porque o produtor comprou o lote, mas não tinha recurso para comprar os equipamentos parcelares de irrigação e o próprio custeio da lavoura. Aí, começou muito devagar”, esclareceu Paganelli.
O seu José Milton da Silva foi um dos que quase tiveram que deixar de produzir. Sem muita experiência, adquiriu um lote, entrou para uma associação e, junto com outros 43 produtores, plantou melão.
“Disseram que plantar melão era uma coisa boa. Plantava melão hoje e amanhã comprava um avião. Aí todo mundo queria plantar melão. Quem não queria comprar um avião? E a verdade num era essa”, disse o seu Zé Milton.
O seu Zé Milton e os colegas da associação venderam o melão da primeira safra, mas não receberam. Ninguém conseguiu pagar o financiamento. Hoje, dos 43 produtores da associação, apenas cinco continuam produzindo mesmo endividados.
Agora, o seu Zé Milton planta abacaxi em três hectares. Por causa da dívida, ainda não conseguiu ocupar todo o lote. Mas não se intimida. Trabalha duro. Não passa um dia sem ir ao lugar. Produz frutos de qualidade que ele mesmo comercializa. Quer economizar e pagar o banco. E com essa garra toda, alguém tem dúvida de que ele vai conseguir?
“Eu quero dizer que se você tem um lote de oito hectares cheio de abacaxi, você tem um salário de uns R$ 7 mil, um salário bom pra todo Brasil e não só para o baixo Acaraú. Um salário de R$ 7 mil é muito bom e eu to correndo atrás dele”, disse seu Zé Milton.
Quando vai se aproximando do mar, o rio Acaraú ajuda a formar um grande estuário, um tipo de área de transição entre o oceano e o continente, área de encontro de rios com o mar.
Ao longo da costa, o movimento das marés e a correnteza dos rios misturam a água doce e a salgada. Esse ambiente de água salobra, sempre rodeado por terras úmidas, é muito propício para a vida de um grande número de plantas e animais que, em regiões tropicais, formam o que conhecemos por manguezal.
Em Acaraú, município que leva o nome do rio e onde fica a sua foz, são quilômetros e quilômetros desse ecossistema que no Brasil é considerado "área de preservação permanente".
O manguezal possui três ambientes distintos: o mangue em si, de vegetação densa e solo lodoso; o apicum, com vegetação mais rala e rasteira; e o salgado, grandes áreas arenosas e descobertas que, ao sabor da maré, hora estão inundadas e hora, secas.
Ricardo Matos, biólogo da Secretaria de Meio Ambiente do município ressalta a importância desse ecossistema. “A importância dele para a vida marinha é enorme porque é exatamente onde ocorre o crescimento da fase larval dos animais que vivem tanto no mar como no mangue. Então, ele é considerado um berçário”, falou.
Apesar de toda importância, esse ecossistema tem sido muito explorado pelos criadores de camarão que instalam seus tanques nessas áreas. Do alto, dá para se ter uma idéia da dimensão do negócio.
No Ceará, a explosão da criação de camarão em cativeiro, a chamada carcinicultura, aconteceu no final da década de 90. Com o dólar em alta, a atividade era extremamente lucrativa.
Acaraú é o município que mais produz camarão em cativeiro no Ceará, mas, segundo ambientalistas, a implantação dos tanques nestas áreas pode trazer sérios prejuízos para a vida no mangue. Hoje, no lugar já é muito difícil encontrar quem tire o sustento da cata do caranguejo, por exemplo, ou até do peixe que vem do rio.
João Vilmar vive em Coroa Grande, uma comunidade ribeirinha de Acaraú cuja sobrevivência sempre esteve muito ligada ao mangue e ao rio.
“Hoje nós pescamos mais no mar porque a pesca no rio acabou. A pesca no rio é tainha e a tainha acabou. Acabou por causa dessas condições dos viveiros. Os viveiros têm um produto que joga para o rio. Aí esse produto prejudica o peixe”, lamentou Vilmar.
João se referiu ao metabissulfito. Um produto químico, altamente tóxico, usado para conservar o camarão e, muitas vezes, descartado no manguezal de maneira irregular.
“Esses produtos colocados nos tanques, além de matar as bactérias que convivem com o camarão, eles vão matar também as larvas dos animais que vivem dentro do manguezal”, alertou Ricardo.
Além disso, tem a degradação do meio em si. Muitas empresas desmataram mais do que estava previsto no projeto licenciado pela Semace, Superintendência Estadual do Meio Ambiente, que regulamentava e fiscalizava a atividade no Ceará.
Um levantamento realizado pelo Ibama em 2005 apontou irregularidades em 96% dos criatórios da bacia do Rio Acaraú.
O representante de uma das principais empresas instaladas no município, o engenheiro de pesca Pedro Martins Lopes, acredita que o mal estar causado pela chegada dos criadores de camarão não tem mais razão de ser.
“O que aconteceu é que no início como era, como é um empreendimento muito rentável, procurou-se trabalhar de qualquer forma, inclusive sem acompanhamento técnico necessário. Essas pessoas não tinham o embasamento teórico e científico e trabalharam de forma irresponsável”, explicou Martins Lopes.
A problemática toda envolvendo a instalação das fazendas de camarão fez surgir a Associação Encante do Mangue, formada por moradores do Curral Velho, única comunidade de Acaraú que conseguiu resistir ao assédio dos criadores e ainda hoje preserva parte de sua área de salgado.
Apesar de toda luta, o manguezal da comunidade não é mais o mesmo. Por ser, em tese, a mais preservada do município, sofreu uma exploração intensa e hoje também padece.
“Antes da chegada da carcinicultura tinha o período do caranguejo e a pessoa não precisava colocar o braço pra tirar o caranguejo. Vinha gente de todo canto e levava o saco cheio. Hoje, a gente arrancando no braço, enfiando dentro do buraco, não consegue arrancar quase nada”, lamentou o pescador Vanilson Honório.
Que o diga José Expedito Barbosa, morador do Curral Velho, que hoje, para sobreviver passa dias no mar para trazer lagostas e peixes.
Depois de muito esforço, finalmente, um caranguejo. Por ser pequeno, a lei determina que seja devolvido ao mangue. Mas na região, segundo o Zé, isso não acontece muito.
"O cara não quer nem saber se é pequeno ou grande. Quer saber se tem.
Isso é um problema. Como aqui no interior é uma coisa sem lei, vai pequeno e vai grande”, disse o Zé.
Por conta do assoreamento, só faltando sete quilômetros para o rio se entregar ao mar é que dá para navegar por ele com embarcações um pouco maiores.
Como todo rio, o Acaraú carrega uma riqueza inestimável: a água. Como muitos rios, recebe, em troca, agressões, descaso, esgoto e lixo. Mas ele resiste e segue matando a sede, gerando luz e semeando vida nas terras áridas do sertão nordestino.
Por determinação judicial, o Ibama assumiu recentemente o processo de licenciamento das fazendas de camarão no Ceará. O instituto diz que não vai autorizar a implantação de novos criatórios nem renovar as licenças dos antigos até fazer uma reavaliação dos viveiros no estado. A Superintendência Estadual do Meio Ambiente, que quer retomar o controle do processo, recorreu da decisão da Justiça.
Link da Materia : http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM934945-7823-AS+RIQUEZAS+DA+PARTE+BAIXA+DO+ACARAU,00.html
Mundo : Jornalista iraquiano atira sapato contra Bush durante entrevista em Bagdá
Um jornalista iraquiano jogou um sapato sobre o presidente dos EUA, George W. Bush, durante a quarta e última visita surpresa do americano ao Iraque em guerra .
O sapato não atingiu Bush, que se abaixou, por muito pouco (veja no vídeo ao lado).
A agressão ocorreu no momento em que Bush cumprimentava o premiê do Iraque, Nuri al-Maliki, durante uma entrevista coletiva no escritório do líder iraquiano, na protegida zona verde de Bagdá.

O premiê do Iraque, Nuri al-Maliki, protege o presidente George W. Bush de sapato lançado por repórter iraquiano durante coletiva em Bagdá neste domingo (14). (Foto: AFP)
Depois do lançamento do sapato, Maliki tentou proteger Bush, estendendo a mão em frente do americano.
Durante o ataque, o repórter de TV chamou Bush de "cão" em árabe. "É o beijo de despedida, seu cão", disse ele.
O ambiente ficou tumultuado no salão. Bush sorriu sem graça, e Maliki ficou constrangido. "Não me incomodo", disse o presidente americano a seguir, pedindo que os presentes mantivessem a calma.
Aos gritos e se debatendo, o agressor foi retirado do local por agentes de segurança iraquianos e homens do serviço secreto dos EUA.
Mais tarde, questionado sobre a agressão, Bush disse que não se sentiu ameaçado pelo incidente. Outros jornalistas iraquianos pediram desculpas em nome do colega.
Jogar os sapatos sobre alguém é considerado um insulto muito grave no Oriente Médio, e o ato do repórter reflete a impopularidade de Bush na reta final de seu mandato, que acaba em 20 de janeiro de 2009.
Processos podem impedir posse de quase 300 prefeitos

Os critérios mais rígidos para registro de candidatura adotados nas últimas eleições municipais fizeram com que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebesse uma enxurrada de processos de cassação de candidaturas vindos de todos os cantos do País. Levantamento feito pelo Estado mostra que, só na primeira semana de dezembro, 299 prefeitos eleitos tinham seus registros questionados, correndo o risco de não assumir.
O total equivale a 5% dos 5.563 prefeitos eleitos. Mas o índice pode ser ainda maior. É que os casos analisados são apenas os que já chegaram ao TSE em fase de recurso, não contando os que ainda tramitam nos tribunais estaduais e nos juizados dos municípios.
No cômputo geral, dobrou o número de processos de cassação de candidaturas de prefeitos e vereadores que chegou ao TSE. Em 2004, foram apresentados 3.032 pedidos. Neste ano, foram 5.920.
A maior parte dos casos que terminam com a cassação do registro do candidato é referente a problemas de rejeição de contas, no caso de políticos que já ocuparam cargo público (segundo prevê a Lei de Inelegibilidade), ou relativos a quitação eleitoral, como a não-prestação de contas em eleições passadas ou o não-pagamento de multas.
Há também um grande volume de pedidos com base na vida pregressa dos candidatos. Porém, nesses casos, os processos estão sendo negados. É que em 10 de junho os ministros do TSE definiram que políticos na condição de réus em processos criminais, ação de improbidade ou ação civil pública não poderiam ter seus registros cassados. Mesmo assim, muitos tribunais estaduais mantiveram cassações com base nesse critério. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Ministro garante recursos e anuncia início das obras da refinaria no Ceará

De acordo com o jornal Correio Brasiliense deste domingo (14), o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, anunciou o início das obras da refinaria da Petrobras no Ceará com a inclusão no Orçamento 2009. Apesar da crise econômica mundial que atinge a Petrobras, Lobão garantiu R$ 314 milhões para as obras no Ceará.
No fim do mês, a empresa divulgará o novo planejamento estratégico já adequado ao cenário da crise, mas com a garantia irreversível da implantação dos projetos no Ceará e no Maranhão.
Lula desmente alteração e garante refinaria no Ceará
"Não haverá diminuição nas obras da Petrobras em um centavo. Refinarias do Ceará e Maranhão estão mantidas”. Essa frase foi dita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o IX Fórum dos Governadores do Nordeste que acontece em Recife (PE). A fala de Lula foi confirmada, logo em seguida, pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff: "A Petrobras não tem problemas de investimentos".
As declarações do presidente e da ministra reforçam a instalação da Refinaria Premium II da Petrobras no Ceará. A vinda da refinaria para o Estado foi confirmada no dia 20 de agosto passado, quando foi assinado o protocolo de intenções para a instalação do empreendimento, mas a crise econômica mundial provocou especulações em torno do possível cancelamento da obra. A Refinaria do Ceará é um sonho de 30 anos e deverá gerar 90 mil empregos.
Durante a reunião, Lula ressaltou a importância da manutenção dos investimentos públicos e propôs que todas as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) fossem acompanhadas diretamente, a fim de que se saiba como está o andamento de cada uma delas. "Agora é a hora de trabalhar com vigor para que não permitir que o dinheiro disponibilizado para estados e municípios não fique parado”, disse o presidente. Mais uma vez, as palavras de Lula tiveram o reforço da ministra Dilma. "Estão mantidos os investimentos no pré-sal, nas obras do PAC e dos projetos sociais", enfatizou a ministra.
"A fala de vocês lavou a minha alma duas vezes", disse Cid Gomes
"A fala de vocês lavou a minha alma duas vezes", disse o governador Cid Gomes. Primeiro, de acordo com o governador, porque colocam fim às notícias de que o cronograma da implantação da refinaria no Ceará seria alterado e, segundo, porque o presidente e a ministra defenderam a manutenção de investimentos mesmo com a crise. "É preciso ver na crise oportunidades para o crescimento. Nesses momentos, o melhor conselho é não pense em crise, trabalhe", disse o governador.
sábado, 13 de dezembro de 2008
inguém acerta as dezenas e Mega-Sena acumula

O prêmio previsto era de aproximadamente R$ 15 milhões. A previsão de prêmio para o próximo concurso, que corre dia 17, é de R$ 19 milhões.
123 apostadores fizeram a Quina e vão receber R$ 12.938,02. Outros 7.495 fizeram a Quadra e vão receber R$ 212,33.
Esse é azarado
“O goleiro do Anderlecht, Daniel Zítka, pode ser considerado um azarado de carteirinha". Em um lance na partida contra o Dender, ele subiu para a disputa de uma jogada aérea e na subida trombou com um atleta adversário e acabou quebrando dois dentes.
Não sendo suficiente, na hora em que o goleiro caiu no chão quebrou o perônio, a fíbula e rompeu os ligamentos do tornozelo! E mais: quando estava saindo de campo de maca, os maqueiros escorregaram e deixaram Zítka no chão.
Polícia prende idoso suspeito de 'roubar o próprio carro'

Um motorista de Detroit foi parado e algemado pela polícia, suspeito de roubar o que, curiosamente, era o seu próprio carro.
O chefe de polícia Kirt Bowden observava o trânsito, quando notou algo estranho: uma van usada, sendo dirigida por um homem de cerca de 70 anos de idade.
O veículo havia sido roubado recentemente, mas os registros da polícia não foram atualizados quando o proprietário recuperou a van.
O motorista foi parado a cerca de 24 km de Detroit, e algemado pelas autoridades. Um porta-voz da polícia de Detroit diz que as autoridades estão investigando o caso.
Copa de 2014 está quase garantida no Ceará

Para o titular da Secretaria de Esporte do Estado (Sesporte), Ferruccio Feitosa, Fortaleza tem 99% de chances de ser uma das subsedes da Copa do Mundo de 2014. O otimismo do secretário foi manifestado ontem à tarde, por ocasião da inauguração da nova sede da Sesporte, que funcionará num anexo do Castelão. ´Não tenho dúvida alguma em afirmar da condição privilegiada do nosso Estado. Estamos apenas esperando a confirmação em março do próximo ano para fazermos todas aquelas exigências da Fifa´, destacou Ferruccio, ao reafirmar que o Castelão fechará somente no início de 2010 para a execução da maior parte das obras. Grande orçamento Ferruccio revelou que o orçamento da Sesporte para 2009 é 15 vezes maior se comparado ao de anos anteriores. Sobre os valores do investimento e os projetos, serão mostrados a partir da próxima semana. O secretário confessou que é possível que tenhamos problemas com a drenagem do Castelão em 2009. ´Infelizmente, não podemos fazer nada quanto a isso, pois dependemos da natureza. Se o inverno for bem acima do normal, teremos muitas dificuldades. Poderíamos refazer a drenagem. Todavia, se assim procedêssemos, deixaríamos os nossos dois clubes sem estádio para as disputas do Campeonato Cearense e da Série B de 2009, haja vista que o PV só reabrirá em 2010´. Sobre a reforma do Plácido Aderaldo Castelo, Ferruccio contou que existe um consórcio de três empresas — a portuguesa Somac, que participou da construção das arenas que receberam a Eurocopa de 2004; a Carioca, do Rio de Janeiro e a cearense Fujita. ´Elas estão apresentando um protocolo de intenções. Há possibilidade de o Estado entrar em parceria. O importante é que estamos em condições (o Governo do Estado) de bancarmos tudo o que a Fifa exige´. Governador presente O Castelão ganhará hotel, shoping center, parque aquático e outras benfeitorias. O governador Cid Gomes prestigiou a inauguração da nova e luxuosa sede da Sesporte.

