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domingo, 15 de abril de 2012

TEÚNES ANDRADE: Caixa Eletrônico





Teúnes Andrade é formado em Medicina pela Universidade Federal do Ceará - UFC. Filho de acarauenses, nas suas horas vagas escreve no seu blog "Vou te Contar..." e aos domingos escreve aqui no blog de notícias Acaraú, Vivendo e Sempre Aprendendo!

As filas de bancos diminuíram com a expansão das caixas eletrônicas. Atualmente precisa-se ir menos às agências bancárias que, exceto em dias de pagamentos, estão relativamente vazias. Não tem sentido se perder horas em uma fila para sacar o dinheiro da cerveja do fim de semana. Hoje se faz quase tudo no caixa ou pela Internet.

A tecnologia facilita enormemente a vida. Você passa o cartão na fenda da máquina, escolhe a opção desejada, aperta uns poucos botões, preenche lacunas na sequência solicitada e pronto: lá vem o dinheiro, o extrato ou o recibo de pagamento.

Nada mais simples para quem nasceu na geração cibernética. Mas será tão simples assim para os idosos? A maioria mal lida com o controle da TV, exceto para ligar-desligar e trocar canais. SAP, timer, program e close caption são mistérios ainda não desvendados.

Quem nunca assistiu impaciente na fila da caixa eletrônica os apuros da velhinha diante dos botões? É um passa-repassa de cartão. Cancela daqui, senha inválida dali, operação não concluída invariavelmente. Dá vontade de ajudar a coitada, mas o receio de passarmos por malandros nos planta nervosamente na fila que não anda.

Agora vai, nasce uma esperança. Mas o dinheiro teima em não sair. Ela parece desistir, tem o desespero no olhar, mas tenta “pela última vez”. Não pede ajuda, o moço do banco disse que é perigoso. O senhor na porta parece tão sério. Não, agora consigo! O zum-zum-zum é geral.

Um demonstra pena, outro indignado pergunta por que mandam uma velha coroca mexer com o que não sabe. Finalmente deixa o caixa. Conseguiu vozinha, pergunto com delicadeza. Ela p... da vida responde. “Que nada, diz que falta um tal de crédito”.


ALEX PONGITORI: Turismo Religioso e o Incremento do Turismo




Alex Pongitori Silveira é um acarauense apaixonado pela sua terra e formado em Turismo pela Universidade de Fortaleza - UNIFOR. Professor e Coordenador dos cursos de Guia de Turismo e Hospedagem da EEEP Marta maria Giffoni. Acredita, com todas  suas forças, que o Turismo ainda vai mudar, pra melhor, a realidade de nossa cidade. E é colunista aos domingos do Blog de Notícias Acaraú, Vivendo e Sempre Aprendendo!


Turismo Religioso e o Incremento do Turismo


Nosso país ergueu-se em bases religiosas sólidas, nosso histórico, e nossa história, tem uma relação muito próxima com a religiosidade, especialmente a católica. Muitos dos prédios histórico-artísticos-culturais tem influências da igreja paraexistiram, as suntuosas igrejas são o exemplo mais claro disso.

Muitas cidades atraem um número significante de turistas o ano todo que objetivam manter alguma tradição viva, ou ainda simplesmente querendo visitá-las. Em nosso Estado, como exemplo, podemos apontar Juazeiro do Norte e Canindé como destinos com forte apelo religioso. Segundo pesquisar da Secretaria de Turismo do Ceará (Setur-Ce), empresas de hospedagem e alimentícias tem tentado dar conta dessa demanda.

Com a recente inauguração, por parte da Setur-Ce, do Caminho de Assis, em Canindé, a secretaria implantou algumas estações com postos de apoio, que incluem dormitórios, refeitórios e banheiros, que tem como objetivo acolher essa demanda, tendo como base a perspectiva de crescimento desse segmento, especialmente em feriados religiosos.

Dados da Setur-Ce contam 56 hotéis e pousadas, além de 26 agências de turismo em Juazeiro do Norte. Já em Canindé estão registrados apenas 20 hotéis e duas agências turísticas. No mesmo panorama está Aparecida, interior de São Paulo, que recebe milhares de visitantes para assistir suas missas aos fins de semana, assim como durante seus eventos religiosos na Basílica de Aparecida. A prefeitura municipal conta cerca de 31 mil leitos (a título de curiosidade, uma cama de solteiro conta como 1 leito e uma de casal como 2), e terá, em setembro, mais 330 com a inauguração de um hotel no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida.

Durante feriados, a cidade chega a ter o dobro de turistas em relação ao número de leitos que possui, assim, o Turismo Religioso tem incrementado o turismo local. Acaraú também não está fora desse panorama de cidades brasileiras com forte apelo religioso, são festejos a santos que um dia já foram grandes forças na cidade e com o tempo foram “se perdendo”. O turismo religioso é uma linha estratégica a ser seguida como visto nos casos acima, e, além de fortalecer a atividade turística, fortaleceria a fé do povo e consequentemente os espaços destinados à tais atividades.

É sempre bom analisar o que funciona e pode ser aplicado de alguma forma em nossa cidade, potencial há, desde que o cunho não seja estritamente comercial, a prática pode ser benéfica a muitos.

Alex Pongitori
Turismólogo



domingo, 15 de janeiro de 2012

Bolsa Família - Um Mal Necessário?



Teúnes Andrade é formado em Medicina pela Universidade Federal do Ceará - UFC. Filho de acarauenses, nas suas horas vagas escreve no seu blog "Vou te Contar..." e escreve aos domingos aqui no blog de notícias Acaraú, Vivendo e Sempre Aprendendo!



Bolsa Família - Um Mal Necessário?


O mundo político mudou depois da queda do muro de Berlin. O fim do império socialista trouxe a impressão que só há um modelo, o do capitalismo, para a economia mundial, entretanto a crise que se abateu sobre o mundo financeiro em 2008 e que ainda se mantêm até hoje, como mostra a mais recente queda da bolsa, deixa dúvidas quanto a veracidade da morte definitiva do socialismo. 


Ao tomarmos a teoria evolutiva como aquela que mais de perto explica a origem das espécies e do homem, fica evidente que na luta pela vida são os mais fortes os grandes vencedores. Ao olharmos a natureza e os seres vivos que a congregam percebemos este fato de forma indubitável, porém jamais veremos o que diferencia a espécie humana de todas as outras, o acúmulo de riqueza. 


Os mais fortes detêm o poder e têm mais facilidade na perpetuação de sua prole, mas deixam aos mais fracos o que lhe é supérfluo, as sobras de suas conquistas. O excedente faz toda diferença. Não à toa as economias do mundo desenvolvido possuem uma divisão de renda bem mais justa entre seus cidadãos. O que torna os países subdesenvolvidos como o Brasil não é seu PIB, temos o sétimo(?) maior do mundo, mas a grande proporção de pobreza e até de miséria de seu povo.


Por isso é tão fácil defender os programas sociais do atual governo. Lula nasceu politicamente com a idéia de que o socialismo era o único sistema capaz de gerar justiça social. E em suas várias tentativas de chegar ao poder descobriu que a sociedade simplesmente não aceitava esta proposta. 


Ao amenizar o discurso e se engajar no mundo da globalização da economia finalmente chegou ao comando do país e continua prestigiado pela população de baixa renda e pela comunidade mundial preocupada com o futuro da economia global. É fácil acusá-lo de ter mudado o discurso, difícil é entender que foi o melhor ou mais fácil caminho. 


Alguém vai argumentar que ele se vendeu pelo poder, crítica que partindo dos socialistas históricos como o PSOL é perfeitamente justa, mas vinda dos capitalistas de carteirinha cheira a despeito. Não são eles os advogados da lei dos mais fortes e espertos? 


Por isso defendo e aprovo o Bolsa Família(BF). Não o encaro como  estímulo à preguiça, mas como uma  forma imediatista de promover uma melhor divisão de renda e debelar a fome e a miséria dos mais necessitados. Não creio que existam muitos que trocassem um bom emprego por uma dita “esmola”. 


Entretanto os mesmo que criticam o BF são incapazes de dividir lucros, pagar horas extras, estimular a formação profissional e cultural de seus empregados. E quando se fala em redução de jornada de trabalho é um deus nos acuda; esbravejam como se a redução em 5% de seus lucros os levassem a falência. É certo que a carga tributária é alta, mas é a que a sociedade exige. 


É verdade que o governo gasta mal os recursos do estado, mas quem usufrui das supervalorizações são os grandes empresários. É difícil. Num mundo tão tecnológico como o atual, onde o humano é cada vez mais dispensável, o trabalho tende a ficar cada vez mais escasso. Estamos deixando a Era das necessidades e imergindo na Era do Supérfluo. 


O mundo gira em torno da moda, do bonito, do gostoso. O futebol e o esporte em geral vivem exclusivamente do comércio. A própria medicina há muito se rendeu ao universo do lucro com a indústria dos medicamentos milagrosos, dos cosméticos de efeitos duvidosos, das cirurgias de alto risco com finalidades estéticas, dos exames laboratoriais substituindo a clínica, da indústria dos internamentos. 


A economia não pode parar. O dinheiro tem de circular e as necessidades estão sempre se multiplicando. O mundo capitalista vai se mantendo propagando a idéia que só a alta produtividade pode proporcionar uma vida digna. É verdade, o trabalho é a função básica de todo ser vivo. 


As plantas e os animais não ganham sem algum esforço sua subsistência. Ninguém deveria pedir esmolas, mas infelizmente muita gente precisa de uma mão que a socorra e ninguém perde a dignidade por receber uma ajuda. 

Turismo e Qualidade nos Serviços




Alex Pongitori Silveira é formado em Turismo pela Universidade de Fortaleza - UNIFOR. Professor e Coordenador dos cursos de Guia de Turismo e Hospedagem da EEEP Marta maria Giffoni. Acredita, com todas  suas forças, que o Turismo ainda vai mudar, pra melhor, a realidade de nossa cidade. E é colunista aos domingos do Blog de Notícias Acaraú, Vivendo e Sempre Aprendendo!


Turismo e Qualidade nos Serviços

Na semana passada falei um pouco sobre alguns bons motivos que acabam tornando interessante o investimento de um dado destino no Turismo: falei de geração de emprego; geração de renda; fomento à preservação cultural; entre outros. Mas quer saber outra boa razão pra se investir no segmento? Qualidade nos serviços.

Ouso dizer aqui que não há, sequer, uma pessoa que, esteja lendo esse artigo, que não tenha sido mal recebida naquela pizzaria que costuma ir aos finais de semana com a família, ou naquela farmácia, ou em qualquer outro estabelecimento comercial de nossa cidade. Infelizmente ouço bastante coisas do tipo “a comida é ótima, mas o atendimento é péssimo”. 

Eu mesmo já passei por situações constrangedoras quando tudo que eu queria era tomar uma cerveja e conversar com os amigos, tranquilamente, depois de uma semana de trabalho. O fato é: essa questão é bem mais grave do que parece. O que percebemos, às vezes, é que em certos lugares, nos receber é um favor que nos fazem, quando na verdade, enquanto clientes, é meramente o contrário.

Mas onde eu quero chegar com isso? Bem, investir em Turismo também é investir na Cadeia Produtiva do Turismo, mas antes de continuar, permitam-me explicar o que é isso:
        A cadeia produtiva do turismo abrange diversos segmentos da economia. Além dos segmentos diretamente relacionados como Marketing e Serviços Turísticos, Agenciamento de Viagens, Transporte, Hotelaria, Gastronomia, Entretenimento e Lazer, Eventos e Conferências, Atrações Culturais e Ecológicas; os setores de infra-estrutura básica e serviços públicos (saneamento, abastecimento de água e energia, telecomunicações, segurança e saúde) e o comércio em geral têm forte interação com o “setor”.  (CNI – Confederação Nacional das Indústrias)
Vejam só um turista sai de sua residência e ao longo de sua viagem vai ‘consumindo’ serviços: Companhia Aérea > Táxi > Hotel > Restaurante > Agência Receptiva > Companhia Rodoviária > Banco >Supermercado > Farmácia > Hospital > Casa Noturna > Policiamento > Barraca de Praia > Saneamento

Entendam esse esquema como uma ‘corrente’ e como toda corrente, essa é formada por elos. Elos dentro de elos. Fortalecendo a cadeia e agregando valor ao destino. Percebam, também, que no esquema acima temos infraestrutura turística (hotel, agência, companhia aérea, entre outros), infraestrutura de apoio ao turismo (restaurante, farmácia, banco, entre outros) e serviços públicos. Cada um desses fatores contribui com o outro dentro da Cadeia Produtiva do Turismo, basta que apenas um deles realize um mal serviço para que o trabalho de todos os outros seja desconsiderado, infelizmente é assim que funciona.

Mas voltando ao assunto, investir em Turismo é investir nessa ‘corrente’ e consequentemente investir na qualidade da prestação de serviços desses ‘elos’ que a formam. Algumas pessoas não se incomodam em serem atendidas por um garçom de bermudão e chinela de dedo, mas um simples uniforme já muda nossa percepção de, pelo menos, quão bom possa ser o lugar. 

O turista geralmente é um consumidor mais exigente que nós, residentes, por tanto, investir neles, é investir em nós, que freqüentamos, no dia-a-dia, esses lugares, que vamos ao banco, que almoçamos com a família naquele restaurante ou que nos juntamos aos amigos naquela casa noturna. Nós também merecemos ser bem recebidos.

Aos donos de qualquer estabelecimento, deixo a dica: se você acha que não tem nenhum problema em continuar com aquela sua atendente que mal sabe falar português, que insiste em não se cuidar e que ainda por cima é ignorante, repense bem isso. Não são apenas os turistas que deixam de freqüentar um lugar por conta do mal atendimento. Nós também cansamos.

Alex Pongitori Silveira
Turismólogo

sábado, 7 de janeiro de 2012

O GRANDE DESAFIO DO TURISMO



Alex Pongitori Silveira é formado em Turismo pela Universidade de Fortaleza - UNIFOR. Professor e Coordenador dos cursos de Guia de Turismo e Hospedagem da EEEP Marta maria Giffoni. Acredita, com todas suas forças, que o Turismo ainda vai mudar, pra melhor, a realidade de nossa cidade. E a partir de hoje, colunista aos domingos do Blog de Notícias Acaraú, Vivendo e Sempre Aprendendo!


Eis o seu primeiro Artigo:


O GRANDE DESAFIO DO TURISMO

O setor turístico do Brasil enfrenta um grande desafio: o de dar continuidade às bem sucedidas iniciativas que foram executadas no setor, as conquistas dos últimos anos apontam para um quadro positivo, de forma que a tendência atualmente é apenas uma, seu crescimento.

As políticas construídas para alavancar o Turismo brasileiro tem atingido seus objetivos, e vêm colocando o país entre os destinos que os estrangeiros, e os próprios brasileiros, mais desejam conhecer.

O trabalho necessário para alcançar esse caminho de sucesso é certamente um desafio. E nele, podemos incluir, também, as problemáticas da gestão turística descentralizada e do compartilhamento da construção de um pensamento turístico planejado, onde Governo Federal, Estadual, Municipal, setor privado e organizações representativas da sociedade civil, possam participar e discutir sobre as questões pertinentes à execução, gestão, planejamento e manutenção da atividade, para que ela se dê de forma ordenada e justa.

Se a pergunta “Porque investir em Turismo?” fosse lhe feita, no que você pensaria? Posso dizer, seguramente, que a maioria das pessoas apontaria logo a geração de divisas como o maior benefício que a atividade proporciona, contudo, muitas outras características positivas podem estar associadas ao desenvolvimento turístico:

 Investimento na infraestrutura básica: saneamento, segurança, estradas, entre outros. Para ser bom para o turista, é necessário, primeiro, ser bom para os residentes;
 Preservação do patrimônio cultural, histórico e natural, afinal eles serão o objetivo do Turismo, serão os atrativos;
 Diversificação da economia. A introdução de uma nova atividade econômica faz com que a população dependa menos de uma já existente;
 Integração da sociedade. Dentro dos parâmetros do Turismo sustentável, é imprescindível sua participação.

Cientes de que estes não são as únicas vantagens de se desenvolver o Turismo e também que um cenário perfeito é utópico, todos as características apontadas acima são perfeitamente palpáveis, basta uma única coisa: compromisso.

Quando se trabalha de forma coordenada, cooperada e integrada, o poder de provocar mudanças se fortalece. As transformações deixam de ser apenas sonhos e passam a fazer parte da realidade. Assim, os medos são vencidos, os obstáculos superados e os resultados almejados tornam-se méritos conquistados. Programa de Regionalização do Turismo – Roteiros do Turismo (Ministério do Turismo)

O desafio colocado nesta coluna é o de estimular o reconhecimento do turismo como atividade efetivamente capaz de alavancar o desenvolvimento econômico e social, contribuindo para a redução das desigualdades regionais, a distribuição da renda e o fomento à preservação de nossas heranças naturais e culturais, e com isso, desenvolvê-la.

Alex Pongitori Silveira
Turismólogo